Palmeiras imperiais, pela República

Fotos antigas de Campinas, de diversas fases da história da cidade, invariavelmente têm como pano de fundo as palmeiras imperiais, imponentes na praça Carlos Gomes e na rua Irmã Serafina. Testemunhas centenárias das grandes mutações ocorridas na região central, elas ajudam a redefinir, a toda hora, a forma como os campineiros olham a sua cidade.

As palmeiras foram plantadas no final do século 19, na área que já havia servido de lixão e tradicional ponto de encontro de lavadeiras, contumazes pela presença do Córrego Tanquinho, que ainda corria a céu aberto, muito antes de ser canalizado. Em 1913 a praça Carlos Gomes recebia um notável projeto de ajardinamento, durante a gestão de Heitor Penteado, momento em que Campinas vivia uma pequena belle-époque.

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Durante algum tempo, porém, as palmeiras continuaram como símbolo de exclusão. Elas representavam o limite para quem ia circular pela praça – o núcleo central era reservado aos brancos, enquanto os negros tinham as palmeiras como fronteira. A realidade nada republicana, terrível legado da escravidão, mudou após campanha na década de 1920 do “Getulino”, jornal da comunidade negra.

Os novos significados propiciados pelas palmeiras. Elas se tornaram a moldura para um dos orgulhos arquitetônicos locais, o Edifício Itatiaia, o único da cidade saída das pranchetas de Oscar Niemeyer (1907-2012). As palmeiras ainda embelezam a frente do Clube Semanal de Cultura Artística e dividem a praça Carlos Gomes da escola que também leva o nome do maestro e compositor campineiro.

Em um canto da praça, a estátua erguida em homenagem a Rui Barbosa (1849-1923), que veio várias vezes a Campinas, canto que escolheu como um de seus locais de refúgio. O grande tribuno da República Velha permanece ali, atento, sob a sombra das elegantes palmeiras imperiais.

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